Antonio Joaquim disse que Gestão Taques é fracasso ético e administrativo

Antonio Joaquim, que está se aposentando, revelou que será candidato ao Governo em 2018

Publicado em 20 de outubro de 2017 às 14h:53

Antonio Joaquim é acusado por Janot de receber propina, lavagem de dinheiro, sonegação de imposto de renda e organização criminosa.

O conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Antônio Joaquim, classificou, na manhã desta sexta-feira (20), o Governo de Pedro Taques (PSDB) como “um fracasso ético e administrativo”.

Ele convocou uma entrevista coletiva para anunciar a aposentadoria da Corte de Contas, da qual está afastado desde setembro, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

No evento, ele ainda confirmou a pré-candidatura ao Palácio Paiaguás, no próximo ano.

Durante a coletiva, o conselheiro comentou sobre a gestão de Pedro Taques e afirmou que o Governo do tucano possui inúmeras falhas éticas. Entre elas, mencionou as fraudes na Secretaria Estadual de Educação (Seduc), que culminaram na Operação Rêmora.

“O Governo atual é responsável pelo maior escândalo de corrupção na área de Educação no Estado. Secretário preso, agentes públicos presos, um escândalo e uma vergonha, principalmente em uma área como a Educação”.

“Essa situação se agravou porque o coordenador financeiro da campanha do Taques, o Allan Malouf, declarou, em juízo, que estava participando dessa corrupção para recuperar os R$ 12 milhões que ele colocou na campanha em caixa 2, o que é pior”, declarou.

Ele classificou o esquema criminoso na Seduc como “uma coisa absurdamente escandalosa e gravíssima” e cobrou que as apurações sobre o caso tenham resultados concretos.

“É preciso ir até o fim das investigações e punir, de forma exemplar, todos os responsáveis por isso. Então, esse é um exemplo de fracasso ético”, disse.

Outro fracasso ético, segundo Antônio Joaquim, está relacionado ao esquema de grampos clandestinos no Estado.

“Esse caso representa uma violência contra a democracia. É pior ou, no mínimo igual, à corrupção envolvendo dinheiro. É uma invasão às liberdades individuais, à privacidade das pessoas. É inadmissível que um governo lidere – e está claro que o governo liderou – esse processo de ouvir adversários políticos”.

“Ficaram bisbilhotando a vida das pessoas. É um atentado contra a democracia. Isso é gravíssimo e tem que ter um resultado concreto, porque senão vai servir de exemplos para outros pretensos dirigentes ou líderes políticos começarem a espionar a vida de seus adversários. É uma coisa absolutamente inaceitável”, acrescentou.

Ele afirmou que o caso ocorreu dentro do Palácio Paiaguás e disse que espera que os responsáveis pelo esquema sejam descobertos e punidos.

“É um fracasso ético muito sério. Eu espero que agora, como foi para o STJ, as coisas aconteçam, porque está claro, pelas informações que a gente recebe, que tudo isso aconteceu no Palácio, com a benevolência dos secretários palacianos. É preciso que isso seja esclarecido de forma tempestiva e consequente”, pontuou.

“Então, pra mim, esses casos mostram com clareza o fracasso ético do atual Governo”, afirmou.

O conselheiro ainda criticou a postura adotada pela gestão de Taques em relação a outros Poderes.

Então, pra mim, esses casos mostram com clareza o fracasso ético do atual Governo “É uma gestão inábil, que vive em conflitos inúteis. Você vê o governo direto batendo boca com poderes, com funcionários públicos, com desembargador, com promotor. É uma crise infindável e inútil, que atrapalha qualquer governo. Então, o governo tem essa dificuldade de harmonizar o governo, função que deveria ter como representante do poder Executivo”.

“O dever do chefe do poder Executivo não é fazer bravatas. É um governo que não tem aptidão para fazer gestão”, declarou.

Fracassos administrativos

Entre os fracassos administrativos listados pelo membro afastado da Corte de Contas está a situação atual da saúde pública. Segundo ele, há dois anos o Executivo sabe do caos no setor e não tomou medidas para melhorar o problema.

“A irresponsabilidade do que foi causado na saúde pública de Mato Grosso é abominável. As pessoas estão morrendo e os hospitais estão fechando”.

Ele também mencionou as obras do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT), que seguem sem prazo para serem retomadas.

“O VLT é uma coisa que fico pensando: ‘mas como que pode acontecer isso?’ O sujeito toma posse, tendo uma obra que já gastou R$ 1 bilhão e não toma nenhuma iniciativa. Três anos depois e as coisas não aconteceram”, pontuou.

“Na construção do veículo tem corrupção, claro, mas vai ser apurado, como o Ministério Público está fazendo. Mas é preciso haver uma solução. A primeira coisa que o governo fez foi judicializar”, acrescentou.

Antônio Joaquim argumentou que Pedro Taques não deu continuidade a obras feitas para a Copa do Mundo de 2014, que acabaram ficando incompletas.

“Eu fui relator das obras da Copa do Mundo, fiz oito relatórios apontando que as obras não ficariam prontas. Na época, levei ‘cacete’ da mídia, que falava que eu era um pessimista inveterado e contra a Copa do Mundo em Cuiabá”, disse.

As obras não foram entregues na Copa. E até hoje, mais de três anos depois, elas não foram entregues
“O que aconteceu? As obras não foram entregues na Copa. E até hoje, mais de três anos depois, elas não foram entregues. Qual a explicação pra isso, senão a incompetência e falta de gestão?”, completou.

Ele ainda pontuou que outro fracasso relacionado à gestão de Taques está relacionado a gastos considerados irrelevantes.

“É uma questão mais melindrosa, mas tenho que falar sobre os gastos exorbitantes com coisas consideradas simbólicas. O Governo gastou, neste ano, até o início julho, R$ 10 milhões com fretamento de jatinho”.

Ele ainda teceu críticas sobre o modo como o Executivo tem conduzido o setor da agricultura familiar.

“O Governo é muito pobre e muito medíocre nas políticas públicas da agricultura familiar. O governo é medíocre nesse setor e também na área de mineração, onde o Estado é muito rico e precisa de políticas públicas para melhorar seu desempenho”, relatou.

O membro afastado da Corte de Contas ainda mencionou outros problemas da atual gestão como evasão fiscal e gastos com pessoal.

Afastamento e aposentadoria

Antônio Joaquim foi afastado de suas funções no TCE durante a Operação Malebolge, em setembro. O procedimento é um desdobramento da Operação Ararath, que investiga o desvio de dinheiro público e lavagem de dinheiro por meio de factorings.

Ele  e outros outros conselheiros foram afastados dos cargos em razão de serem acusados, na delação do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), de terem recebido propina de R$ 53 milhões para aprovar as contas da gestão do peemedebista.

Mesmo com o afastamento, o conselheiro manteve os planos que mantinha desde o início do ano e deu entrada ao pedido de aposentadoria no TCE. A solicitação foi protocolada na quinta-feira (19), no gabinete do governador Pedro Taques.