Prefeito quer que Lucas do Rio Verde volte a ter projeto de entroncamento ferroviário

Novo projeto coloca a cidade de Nova Mutum como entroncamento ferroviário.

Publicado em 23 de novembro de 2017 às 10h:04

O prefeito de Lucas do Rio Verde, Luiz Binotti, participou esta semana, em Brasília, de uma série de reuniões sobre logística, saúde e saneamento básico. Ele concedeu entrevista coletiva nesta quinta-feira (23) e detalhou a preocupação com mudanças no projeto de ferrovia.

Binotti citou que integrou comitiva formada por produtores, representantes do Governo Estadual, prefeitos e senadores no Tribunal de Contas da União – TCU – onde foi tratado sobre ferrovia. O prefeito luverdense citou que Lucas do Rio Verde é privilegiado geograficamente para ser um entroncamento de possíveis ferrovias a serem implantadas em Mato Grosso. Ele elogiou o trabalho feito até 2013, mas lembrou que a partir daquele ano o assunto ficou esquecido, sem grandes movimentos a favor do andamento do projeto. “Também o país entrou em crise e ficaram meio parados esses projetos, principalmente da Ferrovia Integração do Centro Oeste, que é uma ferrovia que nós luverdenses alimentamos a esperança de ter aqui”, pontuou.

Outras ferrovias que são cogitadas para atender o escoamento da produção agrícola são a Ferrovia da Integração Brasil/China e também a Ferrogrão, esta última de iniciativa de empresas multinacionais, tendo maior possibilidade de ser implantada. Porém, a ferrovia tem o trajeto entre Sinop e Miritituba. “Temos que esclarecer isso para a população de Lucas e também para as lideranças locais, temos que mobilizar as lideranças locais, que precisamos novamente colocar Lucas do Rio Verde como entroncamento ferroviário”, citou.

O gestor luverdense comentou que na reunião no TCU foi cogitada a possibilidade da Rumo-ALL operar uma linha na região médio norte, com algumas condicionantes. A principal delas seria a possibilidade de operar uma concessão por 30 anos, vinte anos a mais que o atual modelo proposto pelo governo. Conforme Binotti, essa definição depende do TCU. Ele acredita que será preciso uma gestão de lideranças políticas, por entender que há vontade do governo em atender o segmento. “Não é nada de hoje pra amanhã”, disse.

“A principal explicação que quero dar à comunidade e lideranças luverdenses é que estou trabalhando. Estou atento a estas situações”, comentou, citando que algumas situações ganham conotação política, com a proximidade de eleições, como a do próximo ano. “Precisamos mobilizar toda a sociedade pra novamente falar da ferrovia”, apontou. Binotti e secretários estão em Nova Mutum participando de um ato público para tratar do assunto. “Espero que não seja uma ação de pessoas que queiram levar a ferrovia pra Nova Mutum, como já foi levado tanta coisa pra Nova Mutum nos últimos quatro anos”, disse, fazendo referência aos comandos das Polícias Civil e Militar e da sede do Senai.

Saúde

Binotti também participou de reuniões com representantes do Ministério da Saúde. Juntamente com outros prefeitos, o gestor luverdense mostra preocupação com a operacionalização da Unidade de Pronto Atendimento que foi inaugurada no final do ano passado. Sem recursos para operar a UPA, o município tentou alternativas, como a mudança do Posto Central para a unidade, porém esbarrou em questões legais. Conforme o convênio assinado anteriormente, o município se comprometeu em devolver o valor investido em parcela única e corrigido. Os municípios defendem que não ocorra a devolução e, se for inviável, que ocorra o parcelamento para não sobrecarregar. A UPA de Lucas do Rio Verde foi construída com R$ 2,2 milhões, valores não corrigidos.

“Se abrirmos a UPA que está agora pronta, praticamente serão R$ 500 mil por mês que o município vai ter que aportar pra dar sustentabilidade, sem contar que podemos gerar um problema grande pro Hospital, que vai vir pacientes de toda a região e vamos aumentar a responsabilidade do Hospital São Lucas”, observou.

Os municípios presentes ao encontro defenderam que as unidades sejam ocupadas com estruturas menores, sem aumento do custo para as prefeituras.

O últimorepasse feito pelo Governo Federal ocorreu há menos de 15 dias. Pelo convênio assinado, a Prefeitura tem até 90 dias para por em funcionamento. Binotti espera que a definição em relação ao assunto ocorra em até 45 dias.

Saneamento básico

Com intermediação do Secretário Nacional de Política Agrícola do MAPA, Neri Geller, o prefeito luverdense manteve audiência com o senador Romero Jucá (PMDB), líder do Governo Temer, para tratar sobre recursos para aplicar em saneamento básico. A ideia é buscar recursos a fundo perdido para investir em saneamento básico. Caso não seja possível conseguir o aporte necessário para atender o processo de universalização desse tipo de serviço, Binotti projeta o investimento com recursos de fundo perdido e também de iniciativa privada. A última possibilidade, ainda que remota, é parceria com a própria comunidade, por meio do Serviço Autônomo de Água e Esgoto. “Vamos esgotar todas as possibilidades, mas trabalhar pra realizarmos essa obra tão importante pra Lucas do Rio Verde”, conclui.