Binotti e suas estultices!

Por Edésio Adorno

A gestão do prefeito de Lucas do Rio Verde, Luiz Binotti (PSD), patina e não avança em setores essenciais. Na boca do povo e nas redes sociais fervem reclamações contra a precarização dos serviços de saúde e de educação. A cidade, que não tinha uma única rua sem pavimentação asfáltica, hoje tem bairros que se assemelham a um queijo suíço.

Quem votou em Binotti não esperava dele a eficiência e nem o traquejo do ex-prefeito Otaviano Pivetta (PDT). Mas, não supunha que o empresário de sucesso seria um desastre na administração público.

Lucas do Rio Verde parou no tempo e no espaço. Não há política de fomento do desenvolvimento. O desemprego cresce e, na mesma proporção preocupante, onda de criminalidade tira a paz e a tranquilidade social da cidade.

A cidade que já foi considerada a Califórnia do Brasil, se não sacudida por um governante enérgico, pode virar a imagem e semelhança de um bairro qualquer de Detroit – a cidade americana que se desindustrializou e sofreu aguda crise financeira, econômica e social. Claro, o destino de Lucas do Rio Verde, independente da letargia de Binotti, será outro.

Em visita a Cuiabá, no início dessa semana, o prefeito chamou a atenção da imprensa e de analistas políticos. E nem foi por uma conquista importante para o município que administra. Ao contrário, Binotti foi notícia por protagonizar um papel incompatível para um gestor público responsável e compromissado com sua cidade.

Binotti fez um périplo por órgãos públicos da administração estadual, visitou autoridades, falou em parcerias e apresentou pleitos à equipe do governador Mauro Mendes (DEM). Até aí, tudo bem. Ocorre que o chefe do Executivo de Lucas do Rio Verde seguiu o caminho inverso ao do diálogo e do entendimento. Ignorar a autoridade política do vice Otaviano Pivetta é um erro primário.

Como um erro conduz a outro que, por sua vez, leva ao fracasso, Binotti não fez questão de esconder seu desprezo para com o deputado da região Silvio Fávero (PSL). Tratar com indiferença a representação política da cidade na Assembleia significa colocar o umbigo em primeiro plano. Vaidade pessoal e mesquinhos interesses políticos antagonizam com a vontade soberana do eleitor.

Fávero foi legitimado nas urnas para representar, defender e fazer valer a vontade da população de Lucas do Rio Verde. É o interlocutor, constituído pelo povo, junto ao governo. Ele tem representação popular. Binotti, como caudatário do autoritarismo, precisa reconhecer o valor e o significado da expressão das urnas. Subestimar a manifestação da cidadania é um erro imperdoável, principalmente para quem também foi parido pelas urnas.

A atitude de Binotti é no mínimo curiosa. Enquanto ele, recheado de auto-suficiência, patrola a liderança do único deputado da cidade, outros prefeitos, bem mais articulados, lamentam a falta de representação no Parlamento estadual.

Política é arte do diálogo e da busca permanente do entendimento. O saudoso Ulisses Guimarães já havia ensinado que o combustível dessa ciência é a saliva – o lubrificante produzido pelas gandulas salivares durante a fala sensata, respeitosa e equilibrada. Os cães também produzem saliva, em especial quando acometidos de raiva.

Em respeito ao povo de Lucas do Rio Verde e, em nome do desenvolvimento da cidade, Luiz Binotti precisa parar de espumar pelos cantos da boca, deve se curvar a liderança do deputado Silvio Fávero e buscar o apoio do parlamentar para contribuir com sua gestão pífia gestão na prefeitura.

O momento urge, a população tem pressa. A hora é agora, a conjuntura política é favorável. Qual cidade não gostaria de ter um vice-governador como Pivetta?

Binotti precisa sair do estado de dormência e aceitar essa realidade, antes que cause maior prejuízo e entrave ao desenvolvimento da promissora Lucas do Rio Verde. Dialogo é a receita, sempre! O resto é mera estultices.

Edésio Adorno é advogado em MT
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