Bosaipo é condenado a 18 anos de prisão por lavagem de dinheiro

Humberto Bosaipo

Acusado por desvio e lavagem de dinheiro na Assembleia Legislativa, a juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Arruda, condenou em 18 anos e quatro meses de prisão, o ex-deputado estadual e ex-conselheiro do Tribunal de Contas (TCE), Humberto Bosaipo.

A decisão do dia 26 de outubro, mas foi publicada no Diário Oficial desta sexta (10). Humberto ainda pode recorrer da sentença.

Segundo a denúncia do Ministério Público, o ex-conselheiro é acusado de ser peça importante em um esquema que por meio de pagamentos a empresas fantasmas firmavam contratos com o Legislativo.

O esquema foi deflagrado na Operação Arca de Noé, em 2001, e foram encontrados diversos cheques em nome da AL de posse da empresa Confiança Factoring, que pertence a Arcanjo Ribeiro, principal alvo da operação.

Na época das fraudes, Bosaipo comandava a Assembleia junto com o ex-deputado José Riva. Ambos acusados de desviarem cerca de R$ 500 milhões. Parte do desvio teria sido usado para pagar dívidas com o bicheiro e outra parte para pagamentos pessoais e financiamento de campanhas eleitorais. O esquema funcionou por meio da empresa Edlamar Medeiros Sodré ME, que recebeu 32 pagamentos suspeitos entre julho de 2000 e novembro de 2002.

A empresa, que era “fantasma”, recebeu cerca de R$ 1,6 milhão da Assembleia, simulando prestar serviços, sendo que os valores eram posteriormente repassados a Bosaipo e a outros membros do esquema.

Em sua defesa, Bosaipo negou as acusações e afirmou que Pedro Taques e Julier Sebastião, então procurador da República e juiz federal, respectivamente, teriam forjado provas para enfraquecer o poder político de Riva e o seu, “tudo no intuito de que hoje Pedro Taques ocupasse o cargo de Governador do Estado”. Ele alegou que as transações bancárias feitas entre ele e a Confiança Factoring eram relativos a empréstimos e não oriundas de ilícitos.

“Ao contrário, não há indício de que provas tenham sido forjadas, não há provas ilegais ou obtidas por meios ilícitos nos autos, e não há sequer contradição entre as provas até agora colhidas que pudessem indicar pelo menos de longe que a tese esposada pela defesa tenha qualquer cabimento”.