Vereador afirma que se expressou mal e propõe a troca de chicotadas por chineladas

Callai acha legítimo que pais deem palmadas ou chineladas quando diálogo não surtir efeito.

O vereador por Lucas do Rio Verde Airton Callai (PSB), que causou polêmica e dividiu opiniões ao defender o castigo físico como maneira de educar, ficou surpreso com a repercussão da postagem divulgada em seu Facebook nessa (12), data em que se comemora o dia das crianças. Na publicação (veja aqui), promete sortear um chicote, se referindo ao instrumento como presente para ser usado pelos pais para corrigir os filhos que desrespeitam os mais velhos.
Callai admite ter se expressado mal e garante que jamais concordou com o espancamento de crianças. No entanto, considera legítimo que os pais apliquem castigos físicos como palmadas ou chineladas quando o diálogo não surtir mais efeito.
“Primeiro quero dizer que não concordo com espancamento. Foi uma postagem rotineira e não sabia que teria toda essa repercussão. Ao invés do chicote, devia ter postado a foto de um chinelo havaianas. Mesmo assim, digo que muitas pessoas que levaram palmadas na infância hoje são cidadãos de bem e sabem que os pais devem corrigir seus filhos”, disse Callai em entrevista ao .
Na postagem, Callai ainda defende as chicotadas e diz que a correção “ensina a ser gente”. Depois, lembra que “doma racional para mal educado não funciona nem com cavalo”.
De acordo com Callai, espancamentos, surras e agressões banais devem ser abolidas. Entretanto, ele reafirma que os pais devem tomar atitudes quando o diálogo com os filhos não surte mais efeito.
“Conversa tem limite. Quando conversa não dá mais, é preciso tomar atitude. Hoje muitos menores cometem crimes porque não são corrigidos em casa. Não podem trabalhar por conta da legislação, mas roubam e matam”, completou.
Para Callai, a repreensão através de castigos físicos moderados pode produzir mudanças positivas na sociedade. O parlamentar acredita que pode fazer com que o respeito aos pais, professores e aos mais velhos voltem a prevalecer como há alguns anos.
“Hoje existe excesso de direitos e leis que não são cumpridas. Está faltando limites. Foi isso que quis dizer. Jamais quis incitar a violência contra crianças. Quero ver os pais colocando limite à malcriação”, pontua.
Sobre a própria experiência em educar, lembra que tem duas filhas adolescentes de 17 e 13 anos, respectivamente. Entretanto, afirma que nunca precisou corrigi-las com castigos físicos.
“Minhas filhas nunca precisaram apanhar. A conversa sempre foi suficiente. Como no tempo antigo, me conhecem só pelos ‘zóio’. Não preciso falar duas vezes”, conclui o vereador.

A assessoria da Câmara Municipal informou que o Poder Legislativo luverdense repudia todo e qualquer ato de violência contra criança e que a postagem do vereador não representa o pensamento da Casa de Leis.

Lei Menino Bernardo
A sugestão de correção educacional feita pelo vereador vai contra a legislação no país. A Lei 13.010 aprovada em 26 de junho de 2014, a chamada Lei Menino Bernardo, diz que as crianças e os adolescentes devem ser educados sem o uso de castigos físicos ou de tratamento crueis, como formas de correção, pelos pais, pelos integrantes da família ampliada, pelos responsáveis ou por qualquer pessoa encarregada de cuidá-las.

Já o artigo 129 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), deixa claro que os agressores podem perder a guarda da criança, podem também ser advertidos, encaminhados aos programas oficiais ou comunitários de proteção à família, a tratamento psicológico ou psiquiátrico, a cursos ou programas de orientação. O ECA diz ainda que podem ser obrigados a providenciar tratamento especializado à criança.